Hoang Thi Hong Chang: “Os professores foram como pais para mim”

Hoang Thi Hong Chang: “Os professores foram como pais para mim”
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Hoang Thi Hong Chang, do Vietnã, concluiu a pós-graduação da Universidade Estatal de Tomsk (UET). Trabalha como professorа na Universidade Pedagógica do Estatal Ho Chi Minh. Leia a entrevista sobre como foram seus estudos na Rússia.

– Chang, por favor, diga-nos por que você decidiu estudar na Rússia?

– Minha especialidade é língua russa, letras. E todos os estudantes que estudam o idioma russo sonham em estudar na Rússia. Eu não sou exceção. Tenho muitos amigos que estudaram em uma universidade russa, depois voltaram, e agora trabalham com sucesso.

– Como você ingressou?

– No começo, estudei na universidade da cidade de Ho Chi Minh, obtive excelentes notas. Depois, recebi uma bolsa do estado do Vietnã e fui para a Rússia. Estudei em Moscovo por um ano, e depois fui para Tomsk.

– Por que você escolheu Tomsk?

– Eu tinha uma conhecidda em Moscovo, ela disse que Tomsk é uma bonita cidade. Podia até ser comparada com São Petersburgo. Fiquei interessada e decidi tentar estudar lá.

– E quais foram as suas impressões, quando você chegou a Tomsk?

– A primeira impressão é de que tudo era novo, incomum, estranho para mim. Não era como em casa, nem como em Moscovo. Mas então percebi que tive sorte, porque as pessoas em Tomsk eram boas. E os professores da UET também eram muito gentis, sempre prontos para ajudar a resolver todos os problemas que encontrei. Além do clima, é claro (risos).

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– E, a propósito, como se habituou ao clima?

– O clima em Tomsk era um horror para mim! Cheguei em novembro, e lembro que havia uma geada e neve por toda parte. Mas depois me acostumei. A UET tem bons alojamentos. Era sempre confortável lá. Quando saía, vestia muitas roupas e, dentro da universidade ou do alojamento, estava quente.

– Conte-nos, por favor, sobre os alojamentos.

Nós éramos três no quarto. Enquanto eu estudava, morei com students from different countries . Elas mudavam. Lá havia moças da Rússia, República Tcheca, Itália, Indonésia.

– E como você lidava com elas?

– Bem. Eu falava russo com as russas, e com as outras, eu falava em inglês. É verdade que as estudantes da Indonésia não conheciam muito bem o idioma, então, com elas, nós explicávamos basicamente com gestos. Foi uma experiência interessante.

- Você fez amigos enquanto estudava?

- Sim, incluindo muitos amigos russos, porque estudo russo e para mim é interessante falar. Mas agora nos comunicamos pouco, infelizmente, porque todo mundo tem seus próprios assuntos, trabalho ...

- Como era com a comida?

Eu mesma cozinhava, às vezes nos fins de semana ia a um café para saber a culinária russa. Eu acho que todos os estudantes estrangeiros definitivamente deveriam experimentar pratos russos. Acima de tudo, gosto de sopas - sopa de beterraba (Borsch), é claro, e também solyanka.

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– Você conseguia comprar os produtos necessários para cozinhar a comida de seu hábito?

– Sim, mas não foi fácil, porque nós, no Vietnã, cozinhamos com outros ingredientes. É especialmente difícil encontrar legumes. Lá vendem principalmente batatas, cebolas e cenouras, e usamos muitos tipos de legumes e ervas. Na Rússia, eu sempre adicionava repolho, embora normalmente não o comesse.

– Os voluntários ou funcionários da universidade ajudaram você?

– Quando cheguei a Tomsk, tive um voluntário pessoal. Ele me mostrou tudo, disse-me onde ficava o supermercado, onde era possível comprar roupas quentes, como redigir documentos e estender o visto. Também me tornei voluntária - ajudei os estudantes vietnamitas a se orientar; dizer o que fazer.

– Conte-nos, como se passavam as aulas?

– A primeira lição que tive foi de filosofia, e foi em russo. E, francamente, eu não entendi quase nada do que o professor disse (risos). Mas eu estudei muito. Todos os dias eu ia à biblioteca, lia livros, tanto de filosofia quanto de filologia. Em pouco tempo comecei a entender bem os professores

– Você teve orientador?

– Sim. Galina Nikolaevna. Ela me ajudou muito. No Vietnã o processo de preparação de dissertação é diferente do que acontece na Rússia, a formatação do trabalho e outros. Minha orientadora explicava tudo, explorou muito de mim, e eu sou grata. Agora, falando honestamente, sinto saudades dela.

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– Havia festas ou festivais na universidade?

Diferentes eventos eram realizados na universidade, sempre participei. Há muitas férias na Rússia, mais do que no Vietnã, eu gostava de celebrá-las. Eu queria aprender mais sobre as tradições russas, sobre como as pessoas russas passam tempo.

– Você viajou no seu tempo livre?

– Sim, eu estive em Moscovo, São Petersburgo, Novosibirsk e Krasnoyarsk. Queria ver também Altai e Baikal. Dizem que lá é muito bonito. Mas não deu tempo. Fui para casa uma vez. Claro que queria ver meus parentes, mas não fiquei muito tempo.

– E em Тomsk, o que você conseguiu ver?

Eu gostava de passear no Lagernyy Sad e no bosque perto da universidade. Em geral é uma bonita natureza. E muitos museus. Embora, é claro, muito menos do que em Moscovo ou São Petersburgo. Gostei do Museu Histórico de Tomsk. Eu fui ao teatro de drama, os atores interpretavam bem. Pareciam-me mais profissionalmente do que no Vietnã.

Tomsk, é claro, é uma cidade pequena, mas agradável, eu gosto da atmosfera. É limpa e segura. Eu amo Tomsk.

– О que você mais gostou na Rússia?

– As pessoas. Eram boas e muito gentis. Eu entendi isso assim que cheguei.

Houve a situação de eu não encontrar o ônibus. Perguntei ao jovem na rua, e ele não apenas explicou para onde ir, mas também me acompanhou, para garantir que eu chegasse lá. Todos me ajudavam: os habitantes da cidade e os professores da universidade. É possível dizer que os professores foram como pais para mim. Eles não apenas explicaram o material na sala de aula, mas também cuidaram de mim. Eles ficavam preocupados com a forma de como eu morava no alojamento, se eu estava me acostumando ao clima, se eu me vestia com roupas quentes adequadas, e se eu comia bem. Em geral, a verdade é que, foram meus pais russos.

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– E o que você não gostou?

As temperaturas negativas, é claro. O clima siberiano. Era muito frio no inverno e muito quente no verão. Era um clima tão instável que chegava a ser louco. De manhã, podia fazer calor e à noite já nevar. Fora o clima, tudo bem.

– Agora você trabalha em uma universidade, certo?

– Sim, trabalho como professora de idioma russo na universidade. No começo, assim que voltei, era até muito incomum. Eu já tinha perdido o hábito de viver no Vietnã. Já estava acostumada à Rússia (risos). Lembro-me da minha primeira aula: fiquei surpresa, porque os estudantes aqui são completamente diferentes, não são como na Rússia. Mas o mais inesperado é que eu falava russo, eles também, mas não conseguíamos nos entender. Você consegue imaginar? Descobrimos que falávamos idiomas diferentes. Isso porque quando eles falavam russo, ainda pensavam na língua vietnamita, colocavam acento como se habituaram...Também fazia isso antes de morar na Rússia, onde entendi como falar corretamente. Por isso estudar em uma universidade da Rússia é tão importante para nós, com formação em Letras.

Que conselhos você dá aos candidatos estrangeiros que pensam em estudar na Rússia?

- Para estudantes cuja especialização é “idioma russo”, posso dizer: escolha Moscovo ou Tomsk para estudar. Porque nessas cidades eles falam sem sotaque regional, em russo padrão, como eu ouvi. Mas, por exemplo, em São Petersburgo, eles já dizem de forma diferente, como se as pessoas não colocassem acento. Em geral, o conselho é este: se você quer estudar na Rússia, precisa agir e tudo vai dar certo.

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